Ministério da Cultura e Petrobras apresentam
como Julieta
A jovem do Boi Garantido que desafia a tradição pelo amor.
como Ama / Gregório / Vozes do Coro
como Senhora Capuleto / Abrão/ Vozes do Coro
Mãe devota e ardente do Boi Garantido, símbolo da rigidez da tradição.
como Romeu
O menino do Boi Caprichoso, sensível e destemido diante do impossível.
como Narrador Caprichoso / Benvólio
Mestre da arena azul e aliado fiel de Romeu, conduz com lirismo e humor.
como Narrador Garantido / Teobaldo / Páris
Porta-voz do vermelho, defensor da honra Garantido e da ordem imposta.
como Padre-Pajé / Sansão / Senhor Capuleto / Vozes do Coro
Figura versátil que transita entre o patriarca, o guerreiro popular e o padre-pajé, articulando diferentes camadas de autoridade, afeto e espiritualidade em cena.
como Baltazar / Prefeito / Vozes do Coro
Presença cênica que percorre as camadas sociais e políticas da ilha.
Piano e regência: Hilo Carriel ou Renan Branco
Flauta: Abraão Araújo
Violoncelo: Caio Brito
Percussão: Igor Brasil
Direção e concepção Tércio Silva Músicas e Texto Tim Rescala Direção musical Hilo Carriel Assistência de direção e preparação corporal Monique Andrade Preparação Vocal Soraya Ravenle Iluminação Orlando Schaider Cenografia Tércio Silva Figurinos Melissa Maia Visagismo Eugenio Lima Adereços e bonecos Sergio Nascimento Desenho/Designer de som Germano Xavier Produção executiva Priscila Cruz Produção Giselle Jardim Técnico cênico Esaú Evandro Cenotécnicos Leão, João e Jobas Correpetidor Renan Branco Produção e realização Buia Teatro Company
Na ilha de Parintins, no Estado do Amazonas, dois grupos disputam, anualmente, o melhor espetáculo em torno da figura do Boi, um símbolo muito importante na cultura popular local. Um é o Boi Garantido, da cor vermelha, e o outro é o Boi Caprichoso, da cor azul. E essa rivalidade fica ainda mais profunda quando dois jovens, Romeu, do Boi Caprichoso, e Julieta, do Boi Garantido, apaixonam-se perdidamente. Esse sentimento é, no entanto, é um amor proibido, cuja história é contada aqui por meio da música. Uma quase-ópera-popular; ou melhor, um musical para todas as infâncias.
Quando Tércio Silva me falou da ideia de ambientar a história de Romeu e Julieta em Parintins, fui imediatamente cativado por ela.
Certamente esse é o texto de teatro mais montado da história, em diversos formatos e circunstâncias. Segue sendo um clássico fundamental e ganha agora a nossa versão manauara.
Evidentemente, uma adaptação de Romeu e Julieta, sobretudo se tem como objetivo principal o público infantil, precisa ser ágil, de curta duração, exigindo uma série de cortes. Procuramos então manter aquilo que para nós é fundamental na história, a paixão súbita e avassaladora entre dois adolescentes, que precisa enfrentar um antagonista poderoso para existir. Se no original é o ódio entre duas famílias, aqui é o embate entre duas agremiações, Caprichoso e Garantido, com contornos mais amenos, mas nem por isso menos dramático.
A cultura amazonense, presente aqui de diversas formas, sobretudo por sua música, é um pano de fundo rico e estimulante. Por isso optamos por cantar a história e contá-la de uma forma diferente numa quase-ópera popular. A música a conduz, norteada pela tradição amazônica, mas sem abandonar por completo as referências europeias da história original que, por sua vez, já era uma adaptação.
Bem vindos a Parintins, nossa Verona “ tupiniquim”.
Tim Rescala
A reinvenção de uma tragédia para todas as infâncias.
O amor entre Romeu e Julieta nunca foi apenas um amor. É um gesto de desobediência contra o mundo que os cerca, uma recusa ao ódio herdado, uma tentativa radical de construir algo novo sobre os escombros de rivalidades antigas. Ao transplantar essa história para Parintins, onde as cores vermelha (Garantido) e azul (Caprichoso) dividem famílias, bairros e afetos, o espetáculo “Romeu e Julieta de Parintins” propõe uma experiência, ao mesmo tempo, íntima e coletiva, em que o clássico é transmutado em musical.
Não se trata de uma adaptação no sentido tradicional, mas de uma recriação que reposiciona a fábula no coração de uma cultura viva, algo urgente e necessário para os dias atuais. Os personagens conduzem a atenção e os afetos da plateia, como numa arena, onde o épico mistura-se com o popular. A tragédia, aqui, não é só o destino dos amantes, mas a herança das separações que nos impedem de escutar o outro.
O musical, com música de Tim Rescala, vale-se de uma linguagem que rompe com a linearidade e abre espaço para múltiplas camadas de leituras. O autor consegue criar os estados em uma adaptação coesa e sintética trazendo todo o fio condutor que a obra original de Shakespeare tem, com a música gerando um campo de ressonância dinâmica entre os territórios.
Esse não é um espetáculo sobre o amor impossível; é sobre o possível amor entre diferenças; sobre o sonho de que toda rivalidade – política, cultural, simbólica – possa ser redimida por uma criança que canta, por um Romeu que dança, por uma Julieta que diz sim para o futuro.
Tércio Silva
Direção e Concepção